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| Crédito: Rafael Martins/Folhapress |
O avanço massivo dos investimentos da China na economia brasileira deixou de se refletir apenas nas cifras financeiras e passou a redesenhar o fluxo migratório corporativo no país. Consolidado como o principal destino do capital chinês no último ano, o Brasil vive agora um desembarque sem precedentes de profissionais asiáticos. Desde junho de 2025, o Ministério da Justiça registra uma média contínua superior a mil novos vistos de trabalho concedidos mensalmente a cidadãos da China.
Dados compilados apuraram um crescimento sustentado no setor nos últimos três anos. No topo desse movimento migratório está a fabricante de veículos elétricos BYD. Sozinha, a montadora respondeu por cerca de 2.700 autorizações de trabalho emitidas desde o início de 2025.
O efeito Camaçari e a transferência de tecnologia
O principal epicentro dessa onda migratória laboral fica na Bahia, especificamente no município de Camaçari. A região, que em 2021 sofreu um duro baque socioeconômico com o encerramento das atividades da Ford, provocando demissões em massa e um efeito cascata no comércio local, hoje se reconecta ao mercado global por meio do complexo industrial da BYD.
De acordo com as companhias que lideram as importações de mão de obra, a forte presença de estrangeiros cumpre um papel temporário e estratégico. As empresas alegam que engenheiros, técnicos e especialistas expatriados atuam diretamente no processo de transferência tecnológica, montagem de maquinários complexos e capacitação gradual das equipes de operários e engenheiros brasileiros.
Juridicamente, o modelo encontra amparo na legislação migratória nacional. Especialistas em direito do trabalho e imigração apontam que a vinda desses técnicos é justificável quando atrelada à assistência técnica especializada, implantação de parques industriais de ponta ou treinamentos que a mão de obra local ainda não domina.
Além do setor automotivo
Embora a indústria automobilística de transição energética (carros elétricos e híbridos) chame a atenção pelos números robustos, o fluxo de profissionais atende a outros pilares dos aportes de Pequim no Brasil, como os setores de infraestrutura, mineração, tecnologia da informação e, principalmente, transição energética (geração solar e eólica).
Diante das barreiras comerciais e restrições crescentes que os produtos e empresas chinesas enfrentam nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, o mercado brasileiro consolidou-se como um dos cenários mais estratégicos para a internacionalização das marcas da China, transformando a dinâmica de chão de fábrica do país em um ambiente cada vez mais multicultural.
Por Redação C/ Folha de S.Paulo
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