quinta-feira, 21 de maio de 2026

Crise no tabuleiro: Estrela entra com pedido de recuperação judicial


Divulgação


A tradicional fabricante de brinquedos Estrela, marca que embalou a infância de sucessivas gerações de brasileiros, protocolou na quarta-feira (20) um pedido de recuperação judicial. O requerimento foi apresentado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, onde está localizada a principal unidade fabril do grupo, e engloba outras sete sociedades ligadas à companhia. O objetivo da medida é reestruturar um passivo estimado em R$ 109,2 milhões e evitar a falência.

Em fato relevante assinado por Carlos Antonio Tilkian, diretor de relações com investidores, a empresa informou que a decisão decorre de uma forte "pressão financeira" gerada pela combinação do aumento do custo de capital (juros elevados), escassez de linhas de crédito no mercado nacional e profundas transformações nos hábitos de consumo das crianças, que têm preterido os brinquedos físicos em favor de alternativas e plataformas digitais.

Apesar de o mercado de brinquedos registrar faturamento recorde no país, superando a marca de R$ 10,3 bilhões, marcas históricas enfrentam um cenário severo de concorrência com produtos importados e a necessidade de pesados investimentos em tecnologia. No caso da Estrela, a situação financeira já dava sinais de desgaste: a empresa acumulou um prejuízo de R$ 24,3 milhões em 2024. O peso de seu endividamento seguiu asfixiando o fluxo de caixa, mesmo após um recente acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) que reduziu drasticamente suas dívidas tributárias de R$ 747,9 milhões para R$ 72,4 milhões, parcelados em dez anos.

Operações continuam e plano será apresentado

Fundada em 1937, fabricando inicialmente bonecas de pano e carrinhos de madeira, a Estrela se consolidou como uma gigante do setor, responsável por fenômenos de vendas como o Autorama, Genius, Jogo da Vida, Falcon e Comandos em Ação.

Em nota oficial destinada ao mercado e aos acionistas, a companhia garantiu que todas as suas unidades fabris e canais de venda continuarão operando normalmente durante o período de reestruturação. A prioridade imediata da gestão é preservar os postos de trabalho e assegurar o fornecimento normal de produtos.

A fabricante informou que apresentará oportunamente o seu Plano de Recuperação Judicial detalhado. O documento listará estratégias de corte de despesas, otimização da logística e diversificação de portfólio, e precisará passar pelo crivo e aprovação da assembleia geral de credores para validar a sustentabilidade da marca no longo prazo.

Por Redação C/ O Dia

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