quarta-feira, 13 de maio de 2026

Polícia Civil desarticula esquema de "milicianização" do tráfico em Santo Antônio de Pádua

Operação investiga instalação ilegal de câmeras e internet
clandestina em Pirapetinga
 Foto: Polícia Civil/Divulgação


Uma operação conjunta entre as polícias civis do Rio de Janeiro e de Minas Gerais desarticulou, nesta semana, uma organização criminosa que vinha implantando táticas de milícia em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense. Segundo o delegado titular da 136ª DP, José Paulo Pires, o grupo ligado a uma das maiores facções de tráfico de drogas da capital  buscava o monopólio de serviços essenciais na região.

O Avanço da "Internet Clandestina"

A investigação aponta que os criminosos não se limitavam ao comércio de entorpecentes. Para aumentar o fluxo de caixa, a quadrilha passou a dominar o fornecimento de sinal de internet banda larga em comunidades.

De acordo com a polícia, o bando cortava os cabos de empresas legalizadas e ameaçava técnicos de manutenção, forçando os moradores a assinarem o serviço oferecido pelo tráfico. "É uma tentativa de exportar o modelo de domínio territorial visto na capital para o interior", afirmou o delegado.

Ameaças a Motoristas e Integração com Minas Gerais

Outro ponto crucial do inquérito revela a coação contra motoristas de aplicativos. Relatos indicam que profissionais eram impedidos de circular em determinadas áreas caso não pagassem taxas de "pedágio". Havia, inclusive, a tentativa de impor um sistema de transporte controlado pelos próprios criminosos.

A operação teve um caráter estratégico devido à localização geográfica de Pádua. Com o apoio da polícia mineira, os agentes monitoraram rotas de fuga que cruzavam a divisa dos estados:

Alvos em MG: Criminosos utilizavam cidades como Pirapetinga e Além Paraíba como esconderijos após cometerem crimes em solo fluminense.

Prisões: Diversos mandados foram cumpridos, focando nas lideranças que faziam a ponte entre o Complexo da Maré, no Rio, e o Noroeste do estado.

Segurança e Denúncias

Polícia Civil/Divulgação


O delegado José Paulo Pires reforçou que o combate a essa modalidade de crime é vital para evitar que o Noroeste Fluminense sofra com a estrutura de milícias que assola a Região Metropolitana.

"Não permitiremos que serviços básicos como internet e transporte se tornem reféns da criminalidade. A integração entre as forças policiais e o apoio da população com denúncias são fundamentais", pontuou Pires.

A Polícia Civil mantém canais abertos para denúncias anônimas e garante o sigilo absoluto dos colaboradores.

Por Redação C/ G1

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