O mundo do esporte amanheceu em luto neste sábado (2). Alessandro Zanardi, um nome que se tornou sinônimo de coragem e da capacidade humana de se reinventar, morreu aos 59 anos. A notícia foi confirmada pela família e pela organização Obiettivo3, fundada por ele para apoiar atletas com deficiência. Segundo o comunicado oficial, Zanardi faleceu "de maneira pacífica, cercado pelo amor de seus familiares e amigos", na noite de ontem, 1º de maio, ironicamente, a mesma data que marca o aniversário da morte de Ayrton Senna, outro ídolo das pistas.
Uma vida de duas metades e muitas vitórias
A trajetória de Zanardi é dividida por um divisor de águas trágico: o acidente no circuito de Lausitzring, na Alemanha, em 2001. Naquela época, o italiano já era um herói das pistas, tendo conquistado o bicampeonato da Fórmula Indy (CART) em 1997 e 1998 com ultrapassagens lendárias, além de passagens pela Fórmula 1 em equipes como Lotus e Williams.
Naquele 15 de setembro de 2001, o impacto lateral sofrido pelo carro de Zanardi foi tão violento que resultou na amputação imediata de suas duas pernas. Ele chegou ao hospital com apenas um litro de sangue no corpo e foi reanimado sete vezes. Sobreviver foi o seu primeiro grande milagre.
O renascimento no paraciclismo
Onde muitos veriam o fim, Zanardi encontrou um novo começo. Ele não apenas voltou a pilotar carros adaptados, como descobriu uma nova paixão no paraciclismo (handbike). Com a mesma determinação que o fez campeão no asfalto, ele conquistou o mundo sobre três rodas:
Londres 2012: Dois ouros e uma prata.
Rio 2016: Dois ouros e uma prata.
Mundiais: 12 títulos mundiais.
Ele se tornou o rosto global do movimento paralímpico, provando que "a vida é um privilégio, independentemente das limitações".
A última batalha
Nos últimos anos, a saúde de Zanardi era delicada. Em junho de 2020, ele sofreu outro grave acidente, desta vez enquanto competia com sua handbike na Toscana, colidindo com um caminhão. Foram anos de internações, cirurgias neurológicas e uma recuperação lenta e silenciosa em sua casa.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, lamentou a perda em suas redes sociais: "A Itália perde um grande campeão e um homem extraordinário, que soube transformar cada provação da vida em uma lição de coragem, força e dignidade". Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, também prestou homenagem: "Alex foi uma pessoa inspiradora. Ele enfrentou desafios que teriam parado qualquer um, mas continuou a olhar para a frente com um sorriso".
Alex Zanardi parte deixando a esposa, Daniela, o filho, Niccolò, e um legado que ultrapassa troféus e medalhas: a lição de que, enquanto houver vida, há sempre uma nova linha de chegada a ser alcançada.
C/ de Agências Internacionais e Extra/Globo
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