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| Foto: Miguel Medina/Pool/AFP |
O silêncio que pairava sobre os escombros em Caraballeda foi rompido na manhã deste domingo não pelo estrondo de máquinas, mas pelo som da vida. Após 96 horas de agonia, uma operação minuciosa de busca localizou e retirou com vida um pai e seu filho de dez anos, enterrados sob o que restou de um edifício residencial após os terremotos que sacudiram o território venezuelano na última quarta-feira.
O resgate foi celebrado como um "milagre das 96 horas". Equipes internacionais, utilizando sensores térmicos e sondas de fibra óptica, detectaram sinais vitais sob uma laje de concreto que serviu de escudo improvável para a dupla. Quando os socorristas finalmente abriram uma brecha na estrutura, a comoção foi imediata. O menino, visivelmente debilitado mas consciente, foi retirado sob aplausos contidos, enquanto o pai, que usou o próprio corpo para proteger o filho durante os tremores, foi estabilizado logo na sequência.
Ambos foram transferidos de helicóptero para um hospital de campanha montado na capital, onde passam por avaliação crítica. Médicos relatam que o estado de saúde é delicado, devido à desidratação severa e à síndrome de esmagamento, mas o prognóstico é de recuperação.
O luto nacional
Enquanto a notícia do resgate percorre o país, os números oficiais revelam a dimensão catastrófica do desastre. O governo venezuelano atualizou, em coletiva de imprensa na madrugada deste domingo, o balanço de fatalidades: 1.450 mortos confirmados.
O rastro de destruição estende-se por uma faixa costeira de 120 quilômetros. Em La Guaira, a paisagem foi irremediavelmente alterada; o que antes eram complexos habitacionais e centros comerciais, agora são colinas de concreto armado e ferragens retorcidas.
"Cada vida resgatada é um combustível para continuarmos cavando, mesmo quando a exaustão tenta nos vencer", declarou um dos coordenadores da força-tarefa brasileira que atua na zona norte do estado.
Desafios de uma nação em reconstrução
Apesar da eficiência técnica dos resgates internacionais, a logística de socorro enfrenta obstáculos severos. Estradas cortadas por deslizamentos de terra impedem a chegada rápida de mantimentos e equipamentos pesados a áreas remotas, onde o número de desaparecidos ainda é incerto.
A Defesa Civil estima que, além dos 1.450 mortos, mais de 3.000 pessoas permanecem internadas com ferimentos de diversas gravidades. A busca por sobreviventes continua sendo a prioridade absoluta, embora especialistas alertem que, à medida que o tempo avança, a probabilidade de encontrar pessoas com vida diminui exponencialmente.
A comunidade internacional tem se mobilizado em uma corrida contra o tempo, enviando mantimentos, médicos e equipes de resgate, mas para as famílias que ainda aguardam notícias nos acampamentos improvisados ao redor das zonas de impacto, a espera é uma batalha diária contra o medo e a incerteza.
Por Redação C/ AFP
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