sábado, 20 de junho de 2026

Justiça bloqueia contas de facção criminosa em operação que aponta movimentação de R$ 1 bilhão

Foto: Divulgação/PCCE

Em uma ofensiva sem precedentes contra o braço financeiro do crime organizado, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias ligadas ao Comando Vermelho (CV) que, segundo investigações, foram utilizadas para movimentar cerca de R$ 1 bilhão nos últimos meses. A medida é um dos pilares da operação deflagrada nesta semana, que resultou na prisão de 28 suspeitos envolvidos em um esquema complexo de lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas.

A estrutura financeira do crime

De acordo com os órgãos de segurança pública e o Ministério Público, a operação teve como foco desarticular o "setor financeiro" da facção. As investigações revelaram que o grupo operava através de uma vasta rede de empresas de fachada, contas de "laranjas" e transações digitais rápidas para ocultar a origem dos recursos obtidos com o tráfico de drogas, extorsão e outros crimes.

O valor de R$ 1 bilhão, que chamou a atenção das autoridades pelo alto volume em um curto período, seria fruto de uma engrenagem bem estruturada de lavagem de capitais. O dinheiro circulava entre diferentes estados para dificultar o rastreamento feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

Detalhes da operação

A ação policial, que contou com o apoio de inteligência financeira e monitoramento de ativos, cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão. Entre os 28 detidos, estão figuras apontadas como gerentes financeiros da facção, responsáveis por operacionalizar a logística de pagamentos e a distribuição de recursos para compra de armamento e expansão de territórios.

Impacto direto: A interrupção dos fluxos financeiros visa causar um "apagão" nas operações cotidianas da facção, como o pagamento de propinas, compra de insumos e remuneração de lideranças.

Bloqueio de ativos: Além das contas correntes, a Justiça autorizou o sequestro de bens móveis e imóveis suspeitos de terem sido adquiridos com o lucro do crime.

O combate à lavagem de dinheiro

Especialistas em segurança pública apontam que o foco na descapitalização das facções é uma mudança estratégica importante no combate ao crime organizado. "Atacar apenas as pontas, como o varejo do tráfico, é insuficiente. Quando se bloqueia R$ 1 bilhão, você atinge o coração da organização, sua capacidade de reinvestimento e de corromper agentes públicos", explicou um consultor de segurança ouvido pela reportagem.

As autoridades reforçam que as investigações continuam para identificar outros integrantes da rede de lavagem de dinheiro que ainda não foram localizados. A expectativa é que, com a análise dos documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação, novos nomes sejam incluídos na lista de procurados.

A Secretaria de Segurança Pública informou que os 28 presos estão à disposição da Justiça e devem responder por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

C/ Estadão

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