domingo, 27 de novembro de 2016

Alemães adotam técnica de combate a erosão no Noroeste Fluminense

Práticas aplicadas em Itaocara utilizam materiais naturais para evitar empobrecimento do solo e queda de barrancos

No pequeno município de Itaocara distante quase 300 quilômetros da capital, pesquisadores
 da Universidade de Leipzig, na Alemanha, adotaram uma técnica de bioengenharia já consagrada na Europa, que inclui o terraceamento com mudas – espécies de rampas niveladas – e parcelamento de morro, adaptado para áreas de pastagem. O trabalho faz parte do Projeto Intecral, uma cooperação científica entre o Programa Rio Rural, da Secretaria estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, e o Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha.
“É importante que pequenos produtores tenham acesso a conhecimentos de ponta na agricultura. A parceria valoriza o protagonismo dos agricultores familiares, permitindo a implantação de técnicas avançadas e sustentáveis que melhoram a produção e aumentam a competitividade”, ressalta o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo.
Produzir sem destruir
Assim como outros municípios da região, Itaocara é um grande produtor de leite e 85% de sua área é ocupada por pastagens. Em morros, as trilhas formadas pelo gado favorecem a erosão, já que, em terreno pisoteado, o solo fica compactado e exposto, sem vegetação. Nessas condições, a chuva provoca o deslizamento de barrancos.
Além da superlotação bovina, o manejo não sustentável do solo com o uso de tratores que aram de cima para baixo em terrenos muito inclinados – prática proibida por legislação ambiental – agrava a situação. Eram essas as condições do terreno de quase quatro hectares utilizado na pesquisa, que contou com o apoio do escritório da Emater-Rio em Itaocara. Em menos de dois anos, os resultados são animadores, segundo os alemães.
A técnica de terraceamento agrícola abre caminhos no morro bem mais largos do que os feitos pelos animais. Vistos de frente, são como os degraus de uma escada. Em cada um deles, foram plantadas mudas de espécies nativas resistentes à seca, como aroeira, jacarandá de espinho e outras leguminosas. Quando crescem, elas se tornam uma cerca viva (função similar às cercas elétricas), ajudando a controlar a área disponível para o gado. O revezamento dos espaços promove a regeneração do capim, protegendo o solo contra a erosão.
Somado ao parcelamento de morro – de longe é possível perceber a divisão em faixas –, o terraceamento ajuda a conter o escoamento da água da chuva, pois os arbustos da cerca viva ajudam na infiltração da água. Nas áreas mais críticas da propriedade foram construídas cercas com estacas de bambu e eucalipto, procedimento conhecido como paliçada, que mantém a terra e os sedimentos no terreno, em caso de erosão.
“A equipe de pesquisa gostou muito do resultado. A maioria das espécies que usamos estão adequadas à região, têm alto valor ecológico, atraem pássaros e ainda podem fornecer sombra para o conforto térmico dos animais. A erosão foi contida”, comenta Dietmar Sattler, biólogo responsável pelo trabalho de recuperação de áreas degradadas.
Paulo César Alves, proprietário do terreno onde a pesquisa foi aplicada, está otimista. “Fiz o sacrifício de deslocar o gado para outra área, mas a recompensa é grandiosa. O capim brota com força e tem vindo pessoas de vários locais impressionadas com a mudança na paisagem”, conta.
Segundo Dietmar, a experiência bem sucedida de implantação da técnica no Brasil pode servir de inspiração para outros países que sofrem com níveis graves de erosão, como Índia e Vietnã. O custo com materiais e com a estrutura utilizados na recuperação do terreno foi de R$ 15 mil. 

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