quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O filme Doutor Estranho mostra um novo tipo de herói


Abra sua mente. É o que propunha o primeiro trailer do filme Doutor Estranho, lançado em abril. O conselho ainda vale para quem se dirigir aos cinemas, a partir do dia 2, para assistir ao novo longa-metragem da Marvel. A trama traz um super-herói diferente daquele com que o público se acostumou. Em vez de força bruta ou tecnologia, o Doutor Estranho usa a espiritualidade e forças cósmicas primordiais para lançar feitiços. Mas esqueça qualquer semelhança com Harry Potter (a não ser que Harry, mais velho, começasse a usar mescalina).
O Doutor Estranho foi criado em 1963 e ganhou força nos anos seguintes, quando a psicodelia, os alucinógenos e o orientalismo influenciavam a arte e o entretenimento. Alguns outros heróis daquela mesma fornada brandiam artefatos com nomes como “joia da alma” e invocavam poderes como “consciência cósmica”. Diante de mistérios e inimigos que desafiam a compreensão, o Doutor Estranho às vezes reage entrando em posição de lótus, saindo em viagem astral e explorando outros planos da existência. “Adolescentes e adultos queriam expandir suas mentes, e o Doutor Estranho falou bem alto àqueles que exploravam outras realidades”, afirma o escritor Steve Englehart, autor de diversas histórias em quadrinhos das editoras DC e Marvel, entre elas algumas do próprio Doutor Estranho.
A jornada de Steven Strange (Benedict Cumberbatch) segue o traçado clássico de muitos heróis da mitologia  e da cultura pop – um homem arrogante e poderoso sofre com adversidades, aprende na marra a ser mais humilde e se redescobre, mais forte, mais nobre e com novos propósitos. Bons roteiristas e diretores conseguem recontar essa jornada muitas e muitas vezes de forma sempre surpreendente, e isso ocorre no filme.
Dirigido por Scott Derrickson e produzido por Kevin Feige, ele reprisa nas telas o que se encontra nas páginas dos quadrinhos: uma viagem hipnótica por um caleidoscópio. Combina o estilo de outros longas-metragens imersivos como Matrix e A origem. É o blockbuster mais deslumbrante do ano e conta com elenco arrasador. Cumberbatch, mais conhecido por seu papel na série Sherlock Holmes (e também por participações nas franquias Jornada nas estrelas e O hobbit), é o mais novo queridinho dos fãs da cultura pop. Seu carisma promete derrubar Robert Downey Jr., o Homem de Ferro, de seu lugar cativo nos filmes da Marvel. A camaleoa andrógina Tilda Swinton convence o mais incrédulo dos espectadores de que o movimento de suas mãos pode conjurar encantos. Os ótimos Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Benedict Wong (Marco Polo) são coadjuvantes dos sonhos.
Revista Época

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