segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Estado do Rio registra aumento no número de transplantes

Transplantes de córnea e rins realizados já superam o número do mesmo período do ano passado


Nesta quarta-feira, 27/09, é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Para comemorar a data, o Programa Estadual de Transplantes (PET) divulga um balanço dos transplantes de órgãos realizados no Estado do Rio, e mostra que todos os indicadores vêm aumentando quando se compara 2017 com 2016. A previsão é que o ano de 2017 tenha o melhor saldo de cirurgias desse tipo desde que o PET foi criado, há sete anos. Até agosto, foram realizados 966 transplantes no estado. No ano passado, durante todo o ano, foram 1.128.

O grande campeão por enquanto é o transplante de córnea, procedimento que já teve uma fila de espera de 10 anos e cuja média de espera atual é de oito meses. Entre janeiro e agosto de 2017, foram realizados 576 transplantes de córnea, o número supera todo o ano de 2016, quando foram feitos 575 procedimentos desse tipo. Outra boa notícia é que só em agosto foram realizados 106 transplantes de córnea, o antigo recorde mensal era de 96 cirurgias.

- Sabemos que a decisão de doar os órgãos de um parente é tomada no momento mais difícil, mas o debate constante desse assunto nos ajuda a aumentar o número de doações. Nossas equipes são incansáveis e o resultado que temos alcançado esse ano nos mostra isso claramente, apesar das dificuldades, estamos batendo recordes de doações, isso quer dizer que nosso objetivo de salvar vidas está sendo cumprido - disse Luiz Antonio Teixeira Jr., secretário de Estado de Saúde.

Outra cirurgia que está muito próxima de bater o recorde é o transplante de coração. Entre janeiro e agosto desse ano foram realizadas 9 cirurgias, mesmo número do ano passado inteiro. Os números de transplantes de rins também são significativos. No ano passado, até agosto, foram 233 procedimentos. Este ano, no mesmo período, foram 234.

- Este ano será um sucesso para o PET. Estamos quebrando todos os recordes, mas sabemos que a negativa das famílias ainda é o maior desafio a ser superado. A informação é nossa principal estratégia para que a doação de órgãos seja um assunto encarado com cada vez mais naturalidade entre os brasileiros. Acredito que estamos no caminho certo, a evolução nos números tem nos mostrado isso - explica Gabriel Teixeira, coordenador do Programa Estadual de Transplantes.

Aumento de doações – Em 2016, o PET encerrou o ano com taxa de doação em 13.8 PMP (por milhão de habitante). Já no primeiro trimestre de 2017 apresentou alta, chegando a 15.4 (PMP), o que representa uma variação positiva de 12%. Desde que foi criado, em abril de 2010, o programa já ultrapassou a marca de 8.593 transplantes de órgãos e tecidos realizados nos últimos sete anos.

Vidas que dependem do “sim” – A legislação brasileira determina que apenas parentes diretos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica têm o direito de autorizar a doação de órgãos e tecidos. Não há nenhum documento que possa ser deixado em vida para garantir que a doação ocorra após a morte. Portanto, conversar entre as famílias e expor o desejo de ser doador é a forma mais importante de fazer com que essa vontade seja respeitada. Em 2016, entre as famílias entrevistadas pelas equipes de acolhimento familiar, 46% deram resposta negativa à doação. Já nestes seis primeiros meses de 2017, esse índice está em 45,5%.

- A conscientização da sociedade é muito importante, nas entrevistas, oferecemos à família que perdeu um ente querido o direito de doar os órgãos e, desta forma, salvar vidas que dependem disso – explica Patrícia Bueno, assistente social do PET e integrante da equipe de acolhimento familiar.

Doe+Vida – As equipes da Coordenação Familiar do PET também realizam, desde 2015, palestras de conscientização em empresas, instituições e diferentes entidades para falar sobre o assunto. Além disso, o programa disponibiliza o site www.doemaisvida.com.br, onde as pessoas que querem se declarar doadoras podem se cadastrar e compartilhar a vontade com familiares e amigos. Apesar de não ser um documento legal, uma vez que somente familiares diretos podem autorizar a doação, o cadastro visa estimular as famílias que discutam o assunto, busquem informações e compartilhem entre todos a vontade de ser doador. 


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