quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Rio tem programa pioneiro de manejo da aroeira



Planta nativa da Mata Atlântica, cujo fruto tem grande potencial econômico por ser muito utilizada na gastronomia, a aroeira é uma pequena árvore comumente encontrada no litoral brasileiro. Dela, extrai-se a pimenta-rosa, um condimento com alto potencial comercial, conhecido por ser leve e não esconder o sabor dos alimentos. O estado do Rio de Janeiro é o primeiro no país a ter um Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) para os agricultores e extrativistas que se beneficiam com essa cultura. A exploração da aroeira já está regulamentada e legalizada, com manejo adequado e coleta de seus frutos em áreas de preservação graças a um trabalho da extensão rural fluminense, em parceria com diferentes órgãos e entidades.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater-Rio), vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa), desenvolve a atividade no município de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, onde estimula a regularização da atividade extrativista e a melhoria da qualidade do produto, aumentando muito os rendimentos que normalmente são obtidos. A ação, pioneira no Brasil, é feita em parceria com diversas instituições públicas e privadas.

O PMFS foi construído pelo INEA, órgão público responsável por essa atividade, e contou com a participação de diversas instituições públicas, como a Secretaria Municipal de Agricultura de São Pedro da Aldeia (SAGAT), o Ministério da Agricultura (MAPA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Associação dos Lavradores do Assentamento Ademar Moreira (ALAAM) e a Emater-Rio. A engenheira agrônoma Marília Grasiela Oliveira da Silva é a responsável técnica por esse Plano. No dia 27 de março de 2018 foi emitida pelo INEA a Autorização Ambiental (AA Nº IN044540).


Com o PMFS devidamente autorizado, o Programa Rio-Rural (executado pela Emater-Rio), pode investir mais de 200 mil reais para desenvolvimento da cadeia produtiva da pimenta rosa. E, assim, os agricultores familiares do Assentamento Ademar Moreira e associados da ALAAM começaram a se mobilizar para executar os subprojetos de incentivos.

- A aroeira é uma espécie nativa, cresce de forma abundante em seu habitat natural. A quase totalidade da produção é proveniente da coleta dos frutos ou pelo extrativismo. Os coletores fazem as podas, retiram os frutos. A árvore está lá naturalmente nos fragmentos florestais, ocupando as áreas em seus entornos, onde se tem muito sol. Não é encontrada no interior da mata porque acaba morrendo pela falta de luz - explica Herval Fernandes Lopes, gerente técnico estadual de Agroecologia e Projetos Sustentáveis.




Em 2015, a Emater-Rio teve conhecimento de um projeto bem sucedido em Alagoas, que conseguiu aumentar substancialmente a renda dos coletores de pimenta-rosa daquele estado. A partir de 2016, a Empresa passou a trabalhar com mais intensidade, quando o Programa Rio Rural começou a incentivar financeiramente os agricultores familiares que trabalhavam, também, no manejo da aroeira. Foram realizados a reforma da sede da associação e a construção da beneficiadora no assentamento, assim como adquiridos o material de coleta e os equipamentos de beneficiamento da pimenta rosa. Além disso, foi oferecido um plano de negócios para que os associados pudessem se organizar no trabalho de comercialização da pimenta rosa beneficiada.


O assentamento conta hoje com o centro comunitário, escritório e cozinha reformados, estufa de secagem e secadores do fruto, além do classificador, que também realiza a limpeza da pimenta-rosa selecionada. O beneficiamento traz ganhos para os frutos que ao ter tamanho e cor uniforme e estarem adequadamente secos têm alto valor de mercado. A meta do projeto é que a organização dos agricultores seja progressiva a ponto de atrair empresários e investidores desse excelente mercado.


- Hoje já começaram a vender o quilo por R$ 20. Antes, eles só conseguiram no máximo R$ 5 por quilo. Essa é a primeira mudança, os agricultores já começam a comercializar um produto já melhor acabado. Eles podem chegar a R$ 30, R$ 50, até a R$ 150 por quilo. Vão começar a administrar uma beneficiadora. Isso vai aumentar empregos na medida em que aumente sua capacidade de produção – diz Lopes.

Atualmente, o Instituto Estadual do Ambiente já começou a mapear as regiões onde existe grande quantidade de aroeiras no estado. A Emater-Rio, de posse das informações do INEA e em parceria com MAPA, pretende expandir a iniciativa para outros territórios onde também existe extrativismo da pimenta rosa, como, por exemplo, São Francisco do Itabapoana e Campos dos Goytacazes.



Vicente Magno


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