quarta-feira, 15 de julho de 2026

Polícia desarticula esquema que lavou R$ 100 milhões para facções e apura ligação com a Al-Qaeda




Reprodução


Uma megaoperação deflagrada nesta quarta-feira, 15, revelou a sofisticação da engrenagem financeira por trás das principais facções criminosas do Brasil. Batizada de "Operação Hawala", a ação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mira uma organização criminosa suspeita de lavar cerca de R$ 100 milhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

Além do volume financeiro expressivo, a investigação traz um elemento de alta complexidade: os agentes apuram uma conexão financeira internacional entre os investigados e um indivíduo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

Engenharia de lavagem e alcance interestadual A operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em quatro estados, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná (Foz do Iguaçu). Até o momento, 10 pessoas foram presas. O foco da ação, além das prisões, inclui o bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e o sequestro de participações societárias dos envolvidos.

Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava uma rede complexa composta por dezenas de empresas de fachada. O esquema envolvia transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em espécie e a utilização de "laranjas" para movimentar recursos incompatíveis com as capacidades financeiras declaradas.

Núcleo internacional e a "Tríplice Fronteira" As diligências identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa que atuava como o braço logístico do esquema, facilitando a circulação dos valores entre os estados brasileiros e conexões internacionais. O grupo operava com força na região da Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), local estratégico onde facções brasileiras costumam convergir práticas de contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

O trabalho investigativo teve origem na atuação do TCP no complexo de favelas de São Carlos, no Rio, mas rapidamente revelou que o grupo prestava um "serviço" transversal, atendendo aos interesses financeiros de rivais, como o CV e o PCC.

Facilitadores e a "aparência de legalidade" A polícia destacou o papel fundamental de contadores e operadores financeiros no esquema. Um desses contadores, segundo as investigações, era o responsável por dar "aparência de regularidade" às empresas de fachada, omitindo obrigações legais e deixando de comunicar operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Uma única operadora financeira vinculada ao grupo teria movimentado mais de R$ 47 milhões no período sob investigação, demonstrando a escala industrial do negócio ilícito que, agora, está sob o escrutínio das autoridades federais e estaduais.

Por Redação C/  Estadão

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