terça-feira, 24 de março de 2026

Castro deixa o governo do Rio de olho no Senado

Foto: Pedro Kirilos/Estadão


Em uma manobra que sacudiu os alicerces do Palácio Guanabara e os bastidores do judiciário, Cláudio Castro renunciou oficialmente ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro na segunda-feira. O anúncio ocorreu estrategicamente menos de 24 horas antes do início do seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), previsto para hoje.

Como o cargo de vice-governador está vago ou impedido, o comando do estado passará interinamente para as mãos do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o desembargador Ricardo Couto. A renúncia foi acelerada pela iminência de um desfecho desfavorável em Brasília, onde Castro responde por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Rumo ao Senado e a estratégia jurídica

Ao renunciar agora, Castro busca garantir sua elegibilidade e focar na disputa por uma cadeira no Senado Federal. Interlocutores afirmam que o movimento visa dois objetivos principais:

Descompressão política: Ao deixar o cargo, ele tenta esvaziar o peso político de uma possível cassação imediata, focando a defesa no foro adequado.

Sobrevivência eleitoral: A antecipação permite que ele se coloque como competidor para o legislativo antes que novos fatos jurídicos possam impedir sua candidatura.

Eleição indireta no horizonte

A gestão de Ricardo Couto será breve e técnica. Após assumir, o presidente do TJ-RJ deverá cumprir o rito constitucional de convocar uma eleição indireta. Caberá aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) escolher quem assumirá o governo para concluir o mandato de Castro, que se estende até dezembro.

O clima no TSE

A movimentação não foi bem recebida por setores do judiciário. Ministros do TSE ouvidos reservadamente classificam a renúncia como uma "tentativa de drible" processual. O julgamento de hoje, no entanto, deve prosseguir. Caso seja condenado, mesmo fora do cargo, Castro pode ser declarado inelegível por oito anos, o que inviabilizaria seus planos para o Senado.

O que muda agora?

Ricardo Couto: O desembargador assume o papel de garantidor da estabilidade institucional até o novo pleito na Alerj.

Alerj: A casa legislativa torna-se o epicentro do poder fluminense, iniciando as articulações para definir o governador "tampão".

Cenário 2026: A corrida pelo Senado no Rio ganha um novo e pesado competidor, alterando as alianças de partidos que já contavam com a máquina pública sob a gestão de Castro.

C/ Estadão

COMPARTILHE

Curta Nossa Página no Facebook

Compartilhe

CURTA A NOSSA PÁGINA