sexta-feira, 24 de abril de 2026

Cremerj denuncia depósito irregular de restos mortais de fetos em instituto da Fiocruz no Rio

Fiocruz/Reprodução



Uma fiscalização de rotina realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) revelou uma situação alarmante no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz localizada no Flamengo, zona sul da capital fluminense. Foram encontrados restos mortais de pelo menos 27 fetos armazenados de forma irregular em tambores com formaldeído na sala de necropsia da instituição.

A inspeção, conduzida no início de abril, constatou que os corpos,  todos com mais de 20 semanas de gestação e peso superior a 500 gramas, não possuíam a documentação necessária para o sepultamento ou cremação. Segundo as normas vigentes, fetos com essas características exigem a emissão de Declaração de Óbito (DO), permitindo que as famílias realizem o funeral.

Descaso e falta de identificação

O relatório detalha um cenário de descaso: os corpos estavam sem identificação correta e alguns permaneciam guardados há mais de uma década. Um dos casos mais emblemáticos é o de um feto que estaria no local há 16 anos. A falta de etiquetas e o estado de conservação em substâncias tóxicas dificultaram o trabalho inicial dos fiscais em determinar a origem exata de cada um.

O IFF/Fiocruz é amplamente reconhecido como centro de referência para gestações de alto risco e doenças raras. No entanto, a irregularidade no manejo dos cadáveres expõe falhas graves nos protocolos administrativos e éticos da unidade.

O que dizem as autoridades

Em nota, a Fiocruz informou que o processo de regularização e documentação desses casos teve início no mês anterior à fiscalização e que está em tratativas com a Coordenadoria-Geral de Serviços Funerários do município para viabilizar os sepultamentos. O instituto alegou que a situação não representa uma ilegalidade deliberada, mas sim uma dificuldade no fluxo de destinação final.

Por outro lado, o Cremerj acionou o Ministério Público e o Conselho Federal de Medicina para que as responsabilidades sejam apuradas. "É uma questão de dignidade humana e respeito ao luto das famílias", afirmaram representantes do conselho.

O Ministério da Saúde também informou que monitora o caso e solicitou esclarecimentos detalhados à direção do instituto para garantir que medidas corretivas sejam aplicadas imediatamente, evitando que novos corpos sejam retidos de forma indefinida na unidade de saúde.

C/ Veja

COMPARTILHE

Curta Nossa Página no Facebook

Compartilhe

CURTA A NOSSA PÁGINA