terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Avaliação nacional expõe falhas graves na formação médica no Brasil

 

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Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acenderam um alerta sobre a qualidade do ensino médico no país. Dados da primeira edição da prova mostram que mais de 13 mil estudantes concluintes de Medicina estão vinculados a cursos com desempenho considerado insuficiente, abaixo do nível mínimo de proficiência estabelecido pelo próprio sistema de avaliação oficial.

Apesar do baixo rendimento, esses formandos receberão diploma e poderão obter registro profissional, passando a atuar normalmente no mercado de trabalho. A situação levanta preocupações sobre os impactos diretos na segurança da população, uma vez que a formação inadequada de profissionais da saúde pode comprometer o atendimento médico.

O exame classifica os cursos em uma escala de 1 a 5, sendo que as notas 1 e 2 indicam desempenho crítico ou insatisfatório. A concentração de faculdades nessas faixas mais baixas evidencia problemas estruturais na expansão do ensino médico, especialmente em instituições privadas, onde se observa maior número de cursos mal avaliados.

Outro dado que chama atenção é o contraste entre os resultados das instituições públicas e privadas. Enquanto a maioria das faculdades com melhor desempenho pertence ao setor público, grande parte dos cursos com avaliação insuficiente está na iniciativa privada, o que reforça o debate sobre critérios de autorização, fiscalização e qualidade acadêmica.

Entidades médicas têm alertado, há mais de uma década, para os riscos da abertura indiscriminada de escolas de Medicina sem a garantia de infraestrutura adequada, corpo docente qualificado e campos de prática suficientes. Para essas instituições, o problema não é corporativismo, mas uma medida necessária para proteger a saúde da população.

Diante desse cenário, cresce a defesa por critérios objetivos de avaliação profissional, como a exigência de aprovação em exame de proficiência para o exercício da Medicina. A proposta busca assegurar que apenas profissionais com formação adequada ingressem no sistema de saúde, reduzindo riscos aos pacientes e fortalecendo a confiança na prática médica.

Portal CFM

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