Foto: MAURO PIMENTEL/AFP
A eliminação do Flamengo na semifinal da Copa Libertadores de 2026 voltou a colocar em evidência uma dificuldade que acompanha o clube nos últimos anos: as decisões por pênaltis. Na última quinta-feira (22), após dois empates sem gols contra o Estudiantes, da Argentina, o Rubro-Negro perdeu por 3 a 2 nas cobranças, no Maracanã, e se despediu da competição continental.
O resultado reforçou um retrospecto preocupante. Desde 2016, o Flamengo participou de 17 disputas por pênaltis, conquistando seis vitórias e sofrendo 11 derrotas. O aproveitamento de apenas 35% nos desempates evidencia a dificuldade da equipe em transformar cobranças decisivas em classificações e títulos.
Números revelam dificuldade nas cobranças
O desempenho individual nas penalidades também ajuda a dimensionar o problema. De acordo com levantamento publicado pelo Lance!, o Flamengo cobrou 93 pênaltis nas 17 disputas realizadas desde 2016, converteu 60 e desperdiçou 33. O aproveitamento ficou em aproximadamente 65%.
Do outro lado, os adversários converteram 77 das 93 cobranças enfrentadas pelo Rubro-Negro, enquanto os goleiros flamenguistas defenderam 16 penalidades.
Embora os números não expliquem isoladamente cada eliminação, eles apontam uma dificuldade recorrente em momentos de alta pressão. Em confrontos eliminatórios, nos quais um único erro pode determinar o destino de uma equipe, a eficiência nas cobranças assume papel fundamental.
Estudiantes amplia sequência de frustrações
A derrota para os argentinos se soma a outros episódios dolorosos para a torcida rubro-negra. Em dezembro de 2025, o Flamengo perdeu para o Paris Saint-Germain na decisão da Copa Intercontinental, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar. Nas penalidades, o time carioca foi derrotado por 2 a 1.
Na Copa do Brasil de 2025, a equipe também foi eliminada pelo Atlético-MG nos pênaltis, nas oitavas de final. Os resultados recentes aumentam a pressão sobre o elenco e a comissão técnica diante de uma dificuldade que aparece em diferentes competições.
Na semifinal da Libertadores de 2026, Lucas Paquetá, Jorginho e Bruno Henrique desperdiçaram suas cobranças. O goleiro uruguaio Muslera teve participação importante na classificação do Estudiantes, que aproveitou os erros do adversário para garantir a vaga na final.
Histórico também registra conquistas
Apesar do retrospecto desfavorável, o Flamengo também acumulou vitórias importantes nas disputas por pênaltis. Entre os resultados positivos estão a classificação contra o Emelec, nas oitavas de final da Libertadores de 2019, a conquista da Supercopa do Brasil de 2021, diante do Palmeiras, e o título da Copa do Brasil de 2022, contra o Corinthians.
Em 2026, o Rubro-Negro também superou o Fluminense nas penalidades para conquistar o Campeonato Carioca. O histórico, portanto, não representa um fracasso absoluto, mas revela uma irregularidade que se tornou mais evidente diante da sequência recente de eliminações.
Problema vai além das penalidades
A queda diante do Estudiantes não pode ser atribuída exclusivamente aos erros nas cobranças. Ao longo dos dois confrontos, o Flamengo encontrou dificuldades para criar oportunidades claras de gol e não conseguiu marcar no tempo regulamentar.
Mesmo com a vantagem de jogar diante de sua torcida no Maracanã e com superioridade numérica em boa parte do segundo tempo da partida de volta, a equipe teve problemas para transformar a posse de bola em chances efetivas.
O cenário evidencia que a eliminação envolve questões técnicas e táticas, além do desempenho nas penalidades. A baixa produção ofensiva durante a semifinal contribuiu para que a classificação fosse decidida em um dos momentos mais imprevisíveis do futebol.
Com a saída da Libertadores, o Flamengo terá de lidar com a repercussão do resultado e buscar respostas para as dificuldades apresentadas. Os números das disputas por pênaltis reforçam a necessidade de atenção ao fundamento, enquanto o desempenho contra o Estudiantes mostra que a equipe também precisa melhorar sua capacidade de decisão durante os 90 minutos.
Para um clube acostumado a disputar títulos importantes, superar essas dificuldades será fundamental para evitar que os pênaltis continuem representando um obstáculo em momentos decisivos da temporada.
Por Redação C/ Lance
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