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| Foto: Fabiano Rocha /Agência Brasil |
A Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), uma das principais vias de ligação entre a Região Metropolitana e a Região dos Lagos, voltou ao centro de um intenso debate popular e político. O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) está finalizando a instalação de 133 novos equipamentos de fiscalização eletrônica ao longo dos seus cerca de 200 quilômetros de extensão. Com o início da operação e das cobranças de multas previsto para este mês de junho, motoristas, moradores e parlamentares dividem opiniões sobre a real eficácia e o propósito da medida.
A ampliação do monitoramento faz parte de um plano de modernização do sistema de fiscalização do estado. Os novos aparelhos, prometidos como mais tecnológicos e precisos pelo governo estadual, substituem os antigos contratos que haviam vencido no ano passado. Cruzando municípios populosos como Niterói, São Gonçalo, Maricá, Saquarema, Araruama e Rio das Ostras, os novos radares fixaram limites que variam, em sua maioria, entre 50 km/h e 60 km/h, velocidade considerada excessivamente baixa por motoristas que trafegam em trechos de pista dupla com acostamento.
Condutores protestam contra a "indústria da multa" e a infraestrutura
Nas redes sociais e em fóruns de trânsito locais, as reclamações ganharam força. A principal queixa de quem utiliza a rodovia diariamente é a desconexão entre a severidade da fiscalização e a precariedade da infraestrutura da pista.
"É um absurdo termos que andar a 50 km/h por quilômetros a fio em uma rodovia de fluxo rápido. Se o objetivo fosse salvar vidas, eles começariam tapando os buracos, recapeando o asfalto e construindo passarelas de verdade. Verba para radar aparece rápido, mas para manter a pista segura, não", desabafou o motorista Décio Luiz em uma rede social, ecoando o sentimento de centenas de condutores que veem na medida um intuito puramente arrecadatório.
Outro ponto crítico levantado pelos motoristas é o perigo de assaltos e a falta de segurança pública na região. Para muitos, a obrigatoriedade de reduzir drasticamente a velocidade em áreas isoladas transforma os condutores em "alvos fáceis" para a criminalidade, especialmente durante a noite e a madrugada.
Reação política e flexibilização de horários em áreas de risco
A forte pressão popular ecoou na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Recentemente, a deputada estadual Zeidan (PT) apresentou uma indicação legislativa solicitando formalmente ao DER-RJ a suspensão do monitoramento ou a redução dos horários de funcionamento dos equipamentos nos trechos considerados de maior vulnerabilidade à criminalidade na RJ-106.
Como reflexo dessa articulação, o governo do estado aceitou discutir a redução do horário de operação dos radares em pontos específicos, fazendo com que os aparelhos deixem de multar no período noturno em zonas identificadas como de alto risco de violência. Além disso, há cobranças ativas para que o DER-RJ cumpra integralmente diretrizes que impedem a instalação de fiscalização oculta ou sem sinalização prévia ostensiva.
O outro lado: a defesa da segurança de pedestres
Por outro lado, o DER-RJ e associações de moradores de bairros lindeiros à rodovia defendem a presença dos equipamentos. Em áreas urbanizadas que cortam Maricá e Rio das Ostras, por exemplo, o excesso de velocidade por parte de automóveis e motocicletas é apontado como a principal causa de atropelamentos fatais e colisões graves.
Segundo dados de segurança viária do estado, os trechos que recebem os novos dispositivos concentram altos índices de acidentes decorrentes da imprudência. Defensores do monitoramento alegam que, embora a engenharia de tráfego precise melhorar em termos de passarelas e iluminação, o radar funciona como um freio psicológico imediato contra a violência no trânsito.
O DER-RJ informou que todos os locais que receberão os aparelhos passarão por sinalização vertical e horizontal reforçada para garantir que os motoristas tenham plena ciência dos limites de velocidade. Contudo, até que as multas comecem a chegar, o clima na Amaral Peixoto permanece de forte desconfiança por parte de quem depende da estrada.
Por Redação C/ Extra
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