terça-feira, 4 de julho de 2017

Novo diretor da UFF- Pádua concede entrevista com exclusividade ao Jornal do Noroeste

Professor Tibério Borges é o novo diretor da UFF-Pádua

O novo diretor da Universidade Federal Fluminense campus de Santo Antônio de Pádua, Tibério Borges Vale falou durante a entrevista sobre suas prioridades, por que se candidatou ao cargo de diretor, falou também sobre a questão financeira e os novos cursos que estão por vir.

Tibério Borges possui graduação de Bacharelado em Física pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF (2002), mestrado em Física pela Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF (2005) e doutorado em Ciências (com ênfase em Astrofísica) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2010). Tem experiência na área de Física, com ênfase em Gravitação Quântica e Astrofísica Extragaláctica, atuando principalmente nos seguintes temas: evaporação de buracos negros, interpretação causal da mecânica quântica, relatividade geral, formação de galáxias, modelos de brilho superficial de discos em galáxias late-type (espirais), influência ambiental sobre parâmetros estruturais de discos de galáxias, núcleos ativos de galáxias (AGNs), e ensino de astronomia.  

Jornal do Noroeste- Por que o senhor se candidatou a esse cargo de diretor?

Tibério Borges - Como eu disse até no meu discurso de posse, muito em parte é por causa do carinho que eu tenho por essa cidade, região e também por um dever cívico, um amor realmente a esse país de querer contribuir mesmo que seja no pequeno Instituto de uma grande Universidade. Aconteceu por questões circunstanciais no último ano em que nós, eu e a professora Geórgia achamos que tínhamos uma proposta interessante para apresentar a comunidade acadêmica daqui e que estávamos preparados para assumir uma nova gestão.

JN- Como o senhor avalia o atual momento do Instituto do Noroeste Fluminense de Ensino Superior (INFES)?

TB- Eu avalio como um Instituto que está em franca expansão, desde 2012 quando o prédio foi inaugurado a taxa de crescimento é constante a gente vê gradativamente a criação dos cursos, quando se olha o histórico do Instituto, antigamente a gente tinha apenas o curso de matemática, depois veio o curso de licenciatura em matemática, em seguida a criação da pedagogia, 2011 começou a funcionar o curso de Física, 2013 o de Ciências Naturais, e vem crescendo até que em 2014/2015 começou o curso de Educação no Campo. Então a gente vem crescendo, em números de alunos, técnicos administrativos e de docentes, temos uma área de cerca de 16 mil metros quadrados de um lado e 8 mil metros quadrados de outro para expansão. Ocupamos atualmente um terreno de 10 mil metros quadrados, então temos um total de 34 mil metros quadrados para crescimento, coisa que nenhum outro campus da UFF tem. Em breve vamos receber 12 contêineres, como uma exigência do MEC nas avaliações dos nossos cursos pela expansão de laboratórios didáticos, esses contêineres vêm com o intuito de beneficiar os cursos. Estamos com o projeto de engenharia finalizado para a construção de moradia estudantil, restaurante universitário aqui nesse campus, falta agora a parte mais difícil que é parceria, pretendemos ir a Brasília bater na porta dos deputados, convencer o MEC a financiar essas obras. Sei que o cenário político é adverso mas ao longo desses quatro anos o país deve melhorar. Então a gente vê esse Instituto em ligeira expansão, com plena capacidade de abrigar novos cursos, já temos 7 pretendemos ter ainda mais e atender as necessidades da região já que todos esses cursos foram criados baseados nas necessidades da região.

JN- A questão financeira e orçamentária do INFES é bastante grave, de que forma o senhor pretende melhorar para que o Instituto não fique no vermelho?
TB- É bastante grave, mas é um processo conjuntural e nacional, não é uma questão localizada e pontual nossa. A Universidade esse ano, por exemplo, teve um aumento da ordem de 200 milhões de reais do seu orçamento. Totalizando um orçamento para o ano de 2017 de 1 bilhão e 800 milhões de reais. O nosso Instituto ele tem um orçamento que tem se mantido ao longo dos anos, não tem sido expandido, mas tem sido suficiente minimamente para o seu funcionamento. Quando tem uma sobra de um ano para o outro é muito pequena. Essa verba ela não é gerida por nós diretamente, nós solicitamos através de documentos e solicitações e quem gere a verba é realmente a administração central em Niterói, toda a Universidade é a reitoria, administração central que gere a parte financeira, ela tem o orçamento em que define qual vai ser o limite de gasto da Universidade. E tem a questão financeira que é realmente a liberação de verba vinda do Governo Federal,que geralmente é menor do que a autorização orçamentária anual. Então nosso Instituto tem tido sim verba suficiente para pagar as contas, eu assino os memorandos de envio de pagamento de contas de energia elétrica, internet e diversos gastos internos.  Temos todo o suporte da administração central, mas obviamente devido à crise econômica o Instituto não nada em dinheiro atualmente. A questão é que precisamos angariar verba de fontes diversas, estamos em contato com alguns deputados para uma possível verba parlamentar, temos também alunos que querem colaborar assim como os próprios docentes, ou seja, todos esses caminhos são explorados, avaliados. Outra forma de financiamento seria através da participação de editais, a gente sabe que pelo cenário econômico os órgãos de fomento o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), reduziram muito a oferta de editais para financiamento amplo.
JN- Do seu programa de ação, qual o senhor irá conseguir colocar em prática ainda esse ano?
TB- Nós já estamos conseguindo colocar em prática, uma das propostas que eu coloquei foi o contato direto com a comunidade acadêmica através do canal de reclamações, sugestões e elogios, temos também a ouvidoria da Universidade, isso nós vamos estimular os nossos alunos para que use esse canal. Temos uma série de programas como, por exemplo, organizações de procedimentos internos, solicitações de transporte que já estamos providenciando, questões de mais diversas. Estamos indo a reitoria para acelerar o processo de construção da base de concreto que vai receber esses contêineres que vão chegar agora para a instalação dos laboratórios didáticos. Temos dialogado com a administração central, para que seja liberado um novo aporte para que esses contêineres venham, já que eles estão prontos e estamos aguardando apenas essa base. Todo o procedimento nós estamos correndo atrás dentro do INFES nesse um mês de posse, apesar de ter sido no dia 1º de junho, mas a nomeação dos cargos foi no dia 4 de maio.
JN- Um dos seus projetos seria implantar outros cursos aqui no INFES, quais são esses cursos e quando serão implantados?
TB- Em 2014, no final do último ano do mandato do Magnífico Reitor Roberto Sales, atualmente o Magnífico Reitor é o professor Sidney Mello, ele (Sales) já havia autorizado a vinda para Pádua de dois cursos que são administração e ciências contábeis, e tínhamos autorização de início de funcionamento do curso de Engenharia de Produção. A questão é que no final de 2014 com o estouro da crise a arrecadação do governo Federal começou a cair absolutamente, devido a crise econômica naturalmente, o processo de contratação de novos docentes e todo o processo que envolvia um aumento de gastos como a criação e a vinda de novos cursos acabou sendo paralisados. Nós estamos tentando dialogar junto a administração central para retomar essa vinda desses cursos para cá, a gente sabe, por exemplo, que mesmo em situação adversas é possível sim com muito esforço e trabalho conseguir a expansão da Universidade. Como é o caso de Angra dos Reis que agora tem um novo prédio, uma nova instalação para atuação de seus cursos, que através do diálogo com a comunidade, eles tiveram uma doação de uma estrutura predial. Além disso, podemos falar de Petrópolis em que a Prefeitura se organizou com a Universidade e conseguiram abrir o campus na cidade com o curso de Engenharia de produção, exatamente o curso que pretendemos colocar aqui, e lá eles tiveram a ida de professores de outros campus para Petrópolis em 2015. O que pretendemos então é mostrar a importância para essa região de abrigar novos cursos, sabemos que existe uma demanda para esses cursos. A questão da data, isso não podemos precisar, mas da minha vontade esses cursos já estariam abertos, o problema e que não depende, existe questão que está muito acima de nós e que são decidas fora da Universidade.
JN- Qual será o seu maior desafio, e o que os professores e alunos devem esperar da sua administração?
TB- Acredito que o maior desafio será conseguir verba para a construção, primeiro do restaurante universitário que atenderia toda a comunidade existente e na sequência a moradia estudantil que atenderia os alunos de fora, em especial aqueles que não teriam condição de se manter financeiramente no município. A nossa intenção é facilitar a fixação do aluno, a manutenção, isso passa em permitir uma alimentação de qualidade e uma moradia que permita que esse aluno de continuidade nos estudos. Esse será o maior desafio.
JN- Como o senhor define o ensino superior brasileiro de hoje?
TB- Eu acredito que tentativas são feitas no sentido de privatizar o ensino superior público no país, nós defendemos essa bandeira de que ele deve permanecer gratuito, ou seja, público, gratuito e de qualidade, sou contra essa tentativa de cobrança de mensalidades ou taxas mesmo que simbólicas dos alunos, pelo contrário nós devemos garantir a população um ensino de qualidade e gratuito justamente para que pessoas nesse país tenham acesso ao ensino superior, acredito pessoalmente que nesse país temos um desperdício de mentes muito grande, pessoa que mesmo sem instrução revela um grau de raciocínio abstrato tão elevado que fico assim pensando que se ela tivesse oportunidade de ter dado continuidade nos estudos, ela seria um nome de destaque no país. Eu acho que esse tipo de desperdício é o pior de todos, eu detesto o desperdício financeiro, seja pela corrupção, ou em outros casos, esses são terríveis para o país, mas o mais sério é o desperdício de mentes, se tivesse um aproveitamento melhor das capacidades da população seja ela por favorecimento econômico ou desfavorecida, a gente teria um país muito melhor. E essas transformações só podem vir através da educação.
JN- Qual a mensagem que o senhor deixa para os alunos e professores do INFES?

TB- Eu acredito que a vontade de contribuir, de fazer a diferença e de fazer esse país crescer, essa região e cidade. Baseado no idealismo, no amor por essa região, esse idealismo deve estar acima de tudo, precisamos colocar em prática, arregaçar as mangas, suar a camisa, não é através do comodismo que se pratica idealismo. A questão é que as pessoas não dão valor ao idealismo alheio e às vezes até menospreza esse indivíduo e acho até que temos que ter uma atitude ao contrário, enaltecendo principalmente quando ele é demonstrado através de ações ou na forma de discurso. Então eu acredito que um idealista sempre nota ou percebe outro idealista, a gente deve reconhecer esse idealismo nos outros e enaltecer, dar os parabéns para servir de estímulo para que outras pessoas sempre continuem lutando para melhorar o país.

Marco Sameiro

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